quarta-feira, 5 de julho de 2017

Comporta - Portugal


Fui pesquisar no pai dos burros, o google, e ele respondeu: Comporta é uma freguesia portuguesa do concelho de Alcáter do sal, com 150,54 km de área...
Meus olhos percorreram fotos paradisíacas e apelos: “Comporta, Portugal – reserve agora seu hotel
Os seis melhores hotéis perto da praia de Comporta
Guia para umas férias de sonho em Comporta
Passeio a cavalo-Não há sensação melhor do que passear a cavalo junto ao mar... sentir a água que salpicam nos pés e pernas...
Luxo- faça um passeio a cavalo pelas praias do Comporta – São dez cavalos todos “muito dóceis e pacientes”. Pode optar por ter aulas de meia hora (30 euros) ou uma hora (50 euros) ou fazer apenas um passeio à beira da praia.
Tudo sobre a tarde de Madona na praia do Pego na Comporta.


O que mais?

As praias do Pego e do Carvalhal, Costa Alentejana pura de longos areais e ondas grandes quanto bastem, são as que estão mais perto, a apenas meia dúzia de quilômetros e o triangulo gastronômico e paisagístico de excelência que se estende entre Setúbal, Comporta de Alcáter do Sul... Por falar em comida basta andar meia dúzia de passos e chegar ao restaurante da herdade... Ao almoço há sanduiches variados e massas. Ao jantar menus de degustação de três a cinco pratos. O carpaccio de polvo com rúcula e chips de batata doce...

Acabou? Não...

“Os sonhos não são para aqui chamados, $$$ sim”
Via diante de mim um rosto ansioso e pálido. Omanand, sentado no banco ao meu lado, descrevia-me algo que soava como uma tragédia.
Todos nós desejamos poder trabalhar, viver com dignidade e ganhar o suficiente para isso, seja em nosso país de origem ou naquele que escolhemos para emigrar. Mas temos uma grande falta de solidariedade... E descobrimos que não basta somente ter vontade, força e coragem na esperança de encontrar emprego e um padrão de vida melhor. Meu sonho era poder trazer meus filhos e netos para cá. Mas, os sonhos não são para aqui chamados. A primeira vez que tomei um iogurte grego e comi uma dessas tradicionais bolachas de mercado senti as lágrimas caírem pensando neles e no dia que poderiam fazer o mesmo que eu. E quando uma noite após o trabalho exaustivo andei quarteirões e mais quarteirões para ver o mar, corri como criança pela areia e me joguei na água gelada, quem me visse pensaria que estaria louco, pois cambaleando me agarrei às pedras e olhando para o céu pedi a presença dos meus filhos nessa terra. Um ano se passou e não sei se irei aguentar, estou me fartando das moscas do alojamento, dos patrões que só querem trabalho, trabalho, trabalho em troca de três euros brutos por hora e de partilhar um contentor sem janelas, sem mesas e sem armários e pouco maior do que uma sala de jantar juntamente com sete ou oito colegas. Já estive em Beja na colheita do Melão, agora apanho brócolis e aboboras no Comporta. Trabalho mais de 11 horas por dia debaixo de um sol de mais de trinta graus. Apesar disso insisto em permanecer no novo país embora ao lado da solidão, das dificuldades econômicas e da longa separação da família. Confiscaram nosso passaporte e foi-nos prometido nos regularizar junto às autoridades. A mudança envolveu muito dinheiro, tempo e esforço, não tenho coragem de admitir o fracasso e encarar a vergonha e a humilhação de voltar para casa.


A poucos quilômetros das praias desertas e areias douradas e dos resorts de luxo, ficam os dormitórios dos trabalhadores vindo do Nepal, do Senegal, do Paquistão... O cenário é outro as moscas atacam a cara, as mãos, o pescoço. Voam entre os restos de comida e os pacotes de leite aberto, fazem a festa num plástico imitação de tupperware onde descansa a massa para o pão. Roupas espalhadas nas camas e no chão, ao lado de louças para lavar, tachos com restos de comida, embalagens de detergente, latas de feijão, pacotes de arroz, sapatos espalhados, mochilas abertas. O cheiro de comida azeda misturado ao calor e ao suor do corpo é enjoativo. Próximo dali existe uma fossa a céu aberto.
“Isso não é bom, mas eu suporto” – Finaliza Omanand


Lai - Sempre é útil perguntar-se: ‘Se eu estivesse num outro país em necessidade, (pois com necessidade $$$$ já sabemos) como gostaria de ser tratado?’


sábado, 24 de junho de 2017

Pedrógão Grande, Castanheira de Pera e Fiqueiró dos Vinhos - Face a face com o triangulo das Bermudas português




Seria bom que cada português fizesse uma visita ao triangulo português das Bermudas: Castanheira de Pera, Pedrógão Grande e Figueiró dos Vinhos. Uma parte daquela multidão que esteve na festança do São João já seria de bom tamanho, mas não, afinal fazer festas é preciso.
Escolhi o melhor meio com os moradores da região.
Fui de auto carro. Nessa viagem fui conhecendo os moradores. Uma de Sertã, outra de Castelo Branco e uma de Figueiró dos Vinhos que viu o fogo na frente da sua casa, separado pela estrada.
Falar do terror e da angústia dessas senhoras, já foi filmado e dito até a exaustão pelos meios de comunicações.


O que me deixou impressionada além da perda de vidas, de casas... de tudo e restou o nada, foi o tamanho da “floresta”. Quando o autocarro começou e a deixar Coimbra, o tamanho da queimada é impressionante, quase a viagem toda... Fiquei olhando pela janela do condutor de olhos estáticos... Pensando... Isso não termina. E o que se vê? Restos do que foi uma empresa uma plantação de papel ou eucaliptos. O fogo ainda deixou muitos em forma de carvão mas em pé, em ordem um atrás do outro... Fiquei encucada (confusa) e em casa fui procurar o significado de “floresta”, porque aquilo ali que eu via era uma aberração e nunca uma floresta e o dicionário me explicou o que era aquilo. Diz: A definição comum de floresta é qualquer grande área de terra coberta de árvores ou outra vegetação que produza madeira, onde as copas se tocam formando um "teto" verde. Mata, mato, bosque, capoeira e selva são alguns dos nomes populares dados à floresta.

Elas podem ser classificadas como: naturais ou plantadas, homogêneas, primárias ou secundárias e ripárias. Serão naturais quando se encontrarem no seu estado original, sem intervenção humana. As plantadas são aquelas intencionalmente produzidas pelo ser humano para atingir um objetivo específico. Pronto é isso. Aquela coisa ali na minha frente é: Intencionalmente produzida pelo ser humano para atingir um objetivo especifico. Ou seja, florestas são derrubadas e substituídas por plantas que crescem rápido e dão lucro.


Como é difícil agora chegarem a soluções, não estavam preparados para isso. Ou estavam e fecharam seus lindos olhos $* *$. Não é fácil fazer com que vários destes se sentem à mesa de soluções, e mesmo então não é fácil conseguirem chegar a um consenso quanto a como lidar com questões ambientais. Mesmo quando se chegam a soluções, algumas das partes esquece logo mais. Outros acham difícil fazer cumprir esses acordos. Em certos casos, o governo ou as companhias acham que não têm condições de assumir as despesas envolvidas no processo de restauração do que foi destruído. O problema todo é, pura e simplesmente, a GANÃNCIA — corporações poderosas pressionam os governos para que não sejam tomadas medidas que reduziriam seus lucros. 


É bem sabido que muitas empresas, companhias e governos só querem explorar os recursos naturais ao máximo, sem se importar com as consequências, agora a curtíssimo prazo.
Lai


terça-feira, 20 de junho de 2017

Pedrógão Grande



Minha casa, minha casa...
Foi esse o grito daquela mulher enquanto uma outra a segurava pelos braços
Somente a vida como despojo é este o aviso que lembro sempre diante de uma calamidade pública, Esqueça o resto e salve a sua vida...


Quem conhece uma casa portuguesa sabe o significado da frase: é uma casa portuguesa com certeza, com certeza é uma casa portuguesa
Estive por várias vezes em uma casa portuguesa e nela pode-se encontrar, móveis do século passado e até mesmo do século XIX. Flores de todo tipo rodeando a casa, desde copos de leite a primaveras, rosas, ervas cheirosas como alfazemas, alecrim... árvores... maças, peras, laranja, limão... a horta com repolho, batata, feijão, cebolinha, alho, couve coração... um cachorro, um gato... um passarinho ...
A janela se abrindo e aquele vento refrescante entrando sem pedir licença batendo as portas... E no fogão o almoço e a mesa posta para a família e algum agregando como Egas... do Eça de Queiróz
 A casa portuguesa me leva a um tempo
uma vida que não existe mais... cheiro de aldeia, cheiro de infância... afasto esse vermelho e me encosto no azul de sua tarde
Lai